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Como escolher multivitamínico: Anvisa, rótulo e custo por dia
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Multivitamínico é um suplemento alimentar: produto de ingestão oral, em cápsula, comprimido, pó ou outra forma permitida, que reúne várias vitaminas e minerais. Pela Anvisa, suplemento é "destinado a suplementar a alimentação de indivíduos saudáveis". Esta página ensina a conferir se o produto está autorizado, ler o rótulo e comparar o custo por dia. Ela não diz qual vitamina você precisa nem serve para tratar nada: isso é com profissional de saúde.
Marca, garantia e assistência variam por modelo e por vendedor, então veja quem vende e quem entrega antes de comprar.
Suplemento não é remédio
- A RDC 243/2018 exige no rótulo, em negrito, a frase "Este produto não é um medicamento" (art. 14).
- O rótulo não pode afirmar, sugerir ou implicar que o produto tem finalidade medicamentosa ou terapêutica, nem que a alimentação não é capaz de fornecer os componentes necessários à saúde (art. 17). Embalagem ou anúncio que prometa curar ou tratar algo foge da regra.
- A Anvisa lembra que os limites dos suplementos foram definidos para pessoas saudáveis. Quem tem doença ou uma situação específica de saúde deve usar suplemento só com orientação de profissional de saúde qualificado (perguntas e respostas da Anvisa).
Como saber se o produto é autorizado
- Procure no rótulo a frase "Alimento registrado na Anvisa" com o número do registro, ou "Alimento notificado na Anvisa" com o número do processo (Anvisa).
- Consulte o produto na consulta de alimentos da Anvisa, pela busca avançada. "Ativo" quer dizer regularizado. "Inativo" quer dizer que o produto não está autorizado.
- Desde 01/09/2024, todos os suplementos alimentares passam a ser regularizados por notificação à Anvisa (RDC 843/2024 e IN 281/2024, segundo a Anvisa). O prazo de transição para quem já estava regularizado terminou em 01/09/2026. Segundo a Anvisa, o produto só pode ser vendido até o fim da validade sem notificação se a empresa o tinha comunicado à vigilância sanitária até 31/08/2024 e ele foi fabricado até 01/09/2026. Nesse caso, a falta de notificação não o torna automaticamente irregular. Produto que não cumpre essas duas condições, ou fabricado depois dessa data, precisa estar notificado. Se não achar o produto na consulta, não compre às cegas: peça ao vendedor ou ao fabricante a informação de regularização.
- Manipulado é outra coisa. A norma dos suplementos não vale para preparações manipuladas, que seguem a RDC 67/2007 (Anvisa).
O que o rótulo precisa mostrar
Pela RDC 243/2018, o rótulo deve trazer:
- a designação "Suplemento Alimentar" seguida da forma farmacêutica, como cápsula ou comprimido (art. 12);
- a recomendação de uso reunida num mesmo lugar: grupos populacionais para os quais o produto é indicado, quantidade e frequência de consumo para cada grupo, e as advertências em negrito "Este produto não é um medicamento", "Não exceder a recomendação diária de consumo indicada na embalagem" e "Mantenha fora do alcance de crianças" (art. 14);
- instruções de conservação, inclusive depois de aberto (art. 14);
- a tabela de informação nutricional, que segue a RDC 429/2020 e a IN 75/2020 (art. 15 da RDC 243/2018).
Se faltar alguma dessas informações nas fotos do anúncio, peça ao vendedor ou compare com o rótulo que chega na sua casa.
Grupo populacional importa
A IN 28/2018 fixa, para cada grupo, uma quantidade mínima e uma máxima por dia: 0 a 6 meses, 7 a 11 meses, 1 a 3 anos, 4 a 8 anos, 9 a 18 anos, maiores de 19 anos, gestantes e lactantes. Por isso:
- escolha o produto indicado para o seu grupo, e não o de outro grupo só porque o preço é melhor;
- respeite a dose do rótulo, que traz a advertência "Não exceder a recomendação diária de consumo";
- se não souber qual grupo se aplica ao seu caso, pergunte a um profissional de saúde.
Produtos com certos componentes, como cafeína, taurina, creatina, carnitina e coenzima Q10, precisam trazer a advertência "Este produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes e crianças" (IN 28/2018, Anexo VI). Leia o rótulo antes de dar o produto para quem está nesses grupos.
Como comparar preço: custo por dia
O preço da embalagem engana, porque cada uma traz uma quantidade de doses e uma dose diária diferentes. Faça a conta com os números do rótulo:
custo por dia = preço da embalagem ÷ (número de doses na embalagem ÷ doses por dia indicadas)
Exemplo de conta, não de produto: um pote de R$ 60 com 120 cápsulas, na dose de 2 por dia, dura 60 dias e custa R$ 1 por dia.
Compare só produtos do mesmo grupo populacional e da mesma forma (cápsula com cápsula). Kit com outro suplemento no mesmo pacote só vale se cada produto estiver regularizado: a Anvisa admite dois suplementos diferentes numa mesma embalagem quando ambas são regularizadas (Anvisa). Confira cada rótulo.
Quem compara outros suplementos pode ver os guias de creatina, whey e colágeno.
Opções mais em conta
Opções de preço intermediário
Opções de preço mais alto
Garantia e assistência
Pelo Código de Defesa do Consumidor, o prazo para reclamar de vício aparente em suplemento alimentar, que é produto não durável, é de 30 dias, contados da entrega (art. 26, I, do CDC). Vício oculto conta a partir de quando o defeito aparece (art. 26, § 3º). Produto com prazo de validade vencido é impróprio para o consumo (art. 18, § 6º, I). Se o problema não for resolvido em até 30 dias, você pode pedir a troca, o dinheiro de volta ou um abatimento (art. 18, § 1º). Compra pela internet é feita fora do estabelecimento comercial, e o art. 49 dá 7 dias para desistir, contados da entrega ou da assinatura do contrato; os valores pagos a qualquer título devem ser devolvidos de imediato (art. 49 e parágrafo único). Ao receber, confira se o rótulo bate com o anúncio (nome, quantidade, número de registro ou notificação) e a validade.
Perguntas frequentes
Multivitamínico substitui a alimentação?
Não é o papel dele. A Anvisa define suplemento como produto para suplementar a alimentação de indivíduos saudáveis, e o rótulo não pode sugerir que a alimentação não dá conta do que a saúde precisa (RDC 243/2018, art. 17). Se você quer saber se precisa de suplemento, converse com um profissional de saúde.
Como saber se o multivitamínico é autorizado pela Anvisa?
Veja no rótulo a frase "Alimento registrado na Anvisa" ou "Alimento notificado na Anvisa" com o número, e consulte o produto na base de alimentos da Anvisa. "Ativo" quer dizer regularizado.
Posso tomar mais do que a dose do rótulo?
O rótulo traz a advertência "Não exceder a recomendação diária de consumo indicada na embalagem", e os limites por grupo estão na IN 28/2018. Quem tem dúvida sobre dose deve falar com um profissional de saúde.
O multivitamínico infantil, de gestante ou de lactante serve para qualquer pessoa?
O produto é indicado para os grupos que constam no rótulo, e a dose é definida por grupo. Use o que foi feito para o seu grupo e siga a quantidade e a frequência indicadas.
Como comparar o preço de dois multivitamínicos?
Pelo custo por dia: preço da embalagem dividido pelo número de dias que ela dura na dose do rótulo. Compare só produtos do mesmo grupo e da mesma forma farmacêutica.
Multivitamínico manipulado é igual ao de prateleira?
Não. A norma dos suplementos alimentares da Anvisa não se aplica a preparações manipuladas, que seguem outra regra (RDC 67/2007).
Fontes
- Anvisa - RDC nº 243/2018 (requisitos sanitários dos suplementos alimentares)
- Anvisa - IN nº 28/2018 (listas de constituintes, limites, alegações e advertências)
- Anvisa - Perguntas e respostas sobre suplementos alimentares
- Anvisa - Como saber se um suplemento alimentar é autorizado
- Anvisa - Prazo de adequação às regras de regularização de suplementos (01/09/2026)